Enxugou as lágrimas, e os rastros deixados pela delicada maquiagem de outrora. Substituiu tudo isso por uma densa camada de lápis crayon e inúmeras passadas de rímel. Avermelhou as maçãs do rosto, ainda úmidas daquele líquido salgado, que por ali escoava incessantemente nas úiltimas 36 horas. Após quinze minutos de procura, encontrou aquele batom vermelho-sangue. Ganhara de natal há algumas primaveras e nunca cogitou usar, estava próximo a caixa de primeiros socorros. Situação sugestiva e imperceptível. Cobriu uniformemente os lábios e reforçou, para ter certeza de estarem bem rubros. Vermelhos feito sangue. Vestiu uma saia, que não usava há cinco anos, por ter ficado curta demais. Procurou pelo decote mais provocante. Calçou seu salto agulha. Pegou a bolsa e saiu sem rumo, companhia, destino, ou qualquer outra certeza. Saiu vestida para matar... qualquer coisa que não fosse seu próprio coração.

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