Acontece assim: O batom preferido cai na beirada da cama. O sapato perfeito, aquele, de camurça vermelha, bem Prada.. Quebrou naquele encontro perfeito. O tubinho azul-escuro que cai super bem naquelas festas de última hora, não passou da sua cintura. O pneu furou, o óleo que precisava ser trocado, a conta do celular que esquecestes de pagar. E aí que é desse jeito, nem sempre as coisas acontecem na hora, com quem, quando a gente espera. Requer muita paciência, preparo psicológico pra agüentar as surpresas que a vida te apronta.
“Não foi, não era pra ser e fica pra próxima”. Quantas vezes já deixei de sair pra aquela noite das amigas dando essa senhora desculpa? Quantas vezes evitei dar meu numero pra aquele desconhecido com medo de ser um estranho qualquer e depois você para pra pensar: “ué, poderia, quem sabe ser o amor da minha vida.”
E aí a culpa é dos santos. De Deus, de Sto. Antonio de Pádua, de São Longuinho, do coitado do São Pedro que só tem a função de receber reclamações nos domingos de chuva. Parece meio óbvio, reclamarmos das ditas pedras no caminho, mas quando o ‘’destino’’ nos joga situações inesperadas simplesmente não sabemos como lidar. Ao invés de “Porque isso está acontecendo comigo”, porque não um “O que devo doar de mim, para que isso seja resolvido?”, até um “Esse é um sinal para seguir pelo outro caminho” “Devo agir dessa forma”. Pense por outro lado: Se o tubinho não serviu, é porque certamente existiam melhores para tal situação. O batom que cismou em se esconder, não deveria estar apropriado para a noite; entre as outras tantas que não aconteceram, percebe-se que sempre houve um motivo para tal. E atire a primeira pedra quem discordar.
Às vezes, é tudo apenas uma oportunidade pra te preparar pra uma coisa MUITO melhor que vem aí pela frente. O namorado que te largou, a faculdade que não deu certo, o empréstimo do banco que no fim das contas nem saiu. Tudo, absolutamente tudo tem um motivo. Não questione. Não lamente. Siga em frente e aceite o que foi colocado no seu caminho. O que ficou pra trás, morreu lá. O que não deu certo, teve motivos pra não ter permanecido na sua vida. Se morreu no passado, não mereceu participar do seu presente. Muito menos do seu futuro. E lide com a caneta e o papel que a vida te deu de presente. Vá construir sua história com o que há dentro.
Me peguei pensando dessa forma, quando nesses últimos dias, meu HD foi completamente deletado. Por sorte, um amigo havia feito um backup, em março. Metade foi salvo, e outra metade ficaram só nas lembranças. Perdi resenhas, lindos textos que comecei e não terminei, fotos, muitas muitas fotos, vídeos, lembranças. Tanta coisa que deixei ir Mas e daí? Chorei, morri? Não. Sou capaz de refazer tudo, de escrever os mesmos textos. Infelizmente as fotos, jamais conseguirei tira-las novamente. Mas só de ter tais situações na minha memória já é um grande consolo.



